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Cristina kwam in de fado als in een religie: met geloof, de ogen gesloten,
de handen ineengevouwen. Als een nieuwe ambassadrice van Portugal is ze in
januari in Toulouse, Rouen en Parijs om er gestalte te geven aan de eeuwige
ziel van de "Saudade".
Van haar vorige optredens in Parijs, Nantes en Bourges herinnert men zich
haar jeugdig charisma, de perfecte verklanking van de verscheurdheid van een
stijl, een lot dat haar verbindt met haar land.
Etymologisch gezien, is fado de muziek van het noodlot, de kunst van het lijden,
muzikale nostalgie uit de arme buurten van Lissabon. In de jaren 40 gaf Amàlia
Rodrigues er een nieuwe dimensie aan, door teksten te zingen van zowel klassieke
als moderne dichters. De hele wereld heeft naar Amàlia geluisterd. Soms klonk
haar zang als een gebed. De Diva van de fado is overleden op woensdag 6 oktober
99. Een vlam werd gedoofd, een andere gloeit op.
Cristina Branco werd geboren in 1972 in Almeirim, in de streek genaamd "Ribatejo".
Zij heeft nooit gekozen voor de fado. De fado koos voor haar: "Iets méér dan
4 jaar geleden schonk mijn grootvader me een plaat van Amàlia Rodrigues. Een
ontdekking. Tot dan had ik nooit bijzonder gehouden van de fado, hij leek
me stroef en ouderwets. Amàlia wees me de weg naar zijn schoonheid en zijn
kracht. Ik liet mijn studies journalistiek voor wat ze waren. Ik nam zanglessen,
en ademhalingslessen".
Cristina Branco biedt méér dan hoop voor de fado. Ze verpersoonlijkt zijn
vernieuwing. "Fado, dat is nostalgie, de stem van de ziel. Maar het is ook
blijheid, de vreugde om het leven, luchtigheid en vrolijkheid. Ik neem risico’s.
Niet iedereen houdt ervan dat ik wel eens aan de vastgeroeste regels durf
tornen, bijvoorbeeld door elementen uit de jazz te laten binnensluipen in
mijn muziek. Sommigen vinden dat ik daardoor afdwaal van de pure fado. Maar
als fado niet mag evolueren, zal de fado sterven".
In amper vier jaar tijd heeft Cristina een nieuwe adem gegeven aan een kunstvorm
die dreigde vast te lopen in zijn eigen stereotype. Ze is amper 28 jaar. En
toch durft ze vérder te gaan dan enkel het imiteren van haar grote voorbeeld.
Ze bouwt het spoor verder uit. Tijdens de Portugese Anjerrevolutie heeft radicaal
links Amàlia Rodrigues veroordeeld, omdat ze als traditionaliste berustte
in de natuurlijke ordening van de dingen. Maar traditie kan ook de kracht
zijn waaruit je kan putten om onmacht te overwinnen. Zelden heeft de taal
van de dichters Camoes en Pessoa zo mooi geklonken, zo krachtig en zo fier
als uit de mond van Cristina Branco. Je raakt bevangen door een vreemde emotie,
uitgesproken met alle variaties tussen zucht en kreet. Schitterend begeleid
op de Gitara Portugese van Custódio Castelo (ook afkomstig uit Almeirim).
Cristina Branco is een belangrijke ontdekking. Ze brengt de fado terug in
het licht.
Georges Gad.
"Cristina Branco is jong! Niet eens 30 jaar. Ze is mooi. En somber als onweerslucht.
Haar fado is geworteld in de traditie, in authenticiteit, maar overstijgt
de stereotypes. Ze zaait nieuwe wegen. Maar ze bewandelt ook de oude.
Ze is als een mystieke cultus, die de cirkel sluit tussen nostalgie en noodlot.
Ze is bescheiden, hoedt zich voor uiterlijke schijn. Ze verkiest "zijn" boven
"lijken op". Ze zingt krachtig en rechtuit, gevoed vanuit het diepste innerlijk.
Haar vibrato raakt je diep in je hart. Ze draagt de kracht van het lijden
uit, zo eigen aan het genre.
Ze wordt begeleid door een gitaar-trio onder leiding van Custódio Castelo.
Ze durft af te wijken van de betreden paden, maar toch durft ze zingen zoals
Amàlia het deed… En ze slaagt erin, gedragen door een gracieuse lichtheid."
Dit schreef Véronique Mortaigne in "Le Monde", naar aanleiding van het eerste
concert van Cristina Branco in Parijs. Als Cristina Branco zong, was ze ondersteboven.
De andere toeschouwers ook. Om te ontdekken!
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Nada na vida de Cristina Branco indicava que o seu destino seria o fado, até ao dia em que o avô lhe ofereceu um disco de Amália Rodrigues.
Cristina nasceu na vila de Almeirim, onde ainda hoje reside, muito longe das casas de fado do Bairro Alto, em Lisboa. Como acontece com quase todos os jovens portugueses nascidos depois da Revolução dos Cravos, os seus interesses musicais passavam pela canção popular, pelo jazz, pelo blues, pela bossa nova, mas não pelo fado. No seu entender, esse era o género de uma outra geração - mas as suas certezas ficariam definitivamente abaladas no dia do seu 18º aniversário, quando o seu avô escolheu para prenda o álbum «Rara e Inédita», de Amália Rodrigues, a mais importante voz de Portugal do século XX.
De repente, Cristina Branco descobriu toda a emoção que o género podia conter, na sua íntima ligação entre voz, poesia e música. Pouco a pouco, a intérprete amadora, estudante de Comunicação Social e com ambições de fazer carreira na área do Jornalismo, começou a desenvolver a sua técnica vocal e a levar muito a sério a nova vocação. Tal como outros jovens músicos que, desde meados dos anos 90, encontraram no fado a sua forma de expressão, contribuindo para uma surpreendente renovação da canção de Lisboa, Cristina Branco começou a definir o seu percurso, onde o respeito pela tradição caminha lado a lado com o desejo de inovar.
Em 1997, uma breve passagem por um programa televisivo conduziu a um convite para actuar na Holanda, para a comunidade portuguesa que ali residia, e desse primeiro espectáculo como profissional haveria de sair um disco, «Cristina Branco Live in Holland», que, embora tenha apenas sido editado localmente, conheceu êxito imediato. O seu segundo álbum, «Murmúrios», na verdade o primeiro gravado em estúdio, marcaria decisivamente a sua carreira, ao receber em França o prestigiado prémio «Choc de lAnée du Monde de la Musique», na categoria de world music. Os convites para actuar ao vivo multiplicaram-se e o seu destino estava definitivamente traçado: Cristina Branco haveria de ser fadista.
O seu terceiro disco, «Post-Sriptum» (1998), foi novamente premiado pelo Monde de la Musique, e a sua fama foi crescendo, assim como a qualidade da sua presença em palco. Com centenas de concertos já efectuados - do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, ao Festival de Edimburgo, na Escócia; do Concertgebouw, em Amsterdão, às salas de Nova Iorque, onde se estreou em Janeiro de 2001 -, as actuações ao vivo são a melhor forma de dar a ver a sua arte. Se, por um lado, Cristina Branco apresenta o recolhimento próprio da tradição do fado, por outro lado ela exibe uma sensualidade muito própria, numa conjunção de extremos opostos que é só sua e catalisa a admiração das audiências, independentemente de compreenderem ou não o sentido das palavras que canta.
A arte de Cristina Branco é inseparável de Custódio Castelo, seu marido, seu principal compositor e seu acompanhante, na guitarra portuguesa. A cumplicidade entre ambos é indiscutível, e Custódio Castelo conseguiu conjugar na perfeição a originalidade da sua música com as tonalidades e o requebros da voz de Cristina. As suas melodias encerram em si a memória do fado, mas também sabem ir mais longe, não se limitando ao velho desfiar dos lugares-comuns sobre a palavra «saudade». A sua música é, por vezes, triste e fatalista, mas também sabe ser alegre e luminosa, residindo nesse balanço de atmosferas a sofisticação da sua abordagem do fado.
Se nada na vida de Cristina indicava que o seu destino seria o fado, temos hoje de admitir que Cristina Branco está a criar um estilo: um grupo tradicional (voz, guitarra portuguesa, viola e viola-baixo); uma voz simultaneamente leve, quente e sentida; uma mistura de fados tradicionais, temas próprios e canções populares, sempre com o cuidado de escolher as palavras dos melhores poetas portugueses.
Em 2000, prestou a sua homenagem à Holanda, país onde iniciou a sua carreira e que por ela sente um indesmentível afecto, com a gravação de um álbum inteiro dedicado ao poeta holandês Jan Jacob Slauerhoff, que viveu algum tempo em Portugal. Lançado apenas na Holanda, «Cristina Branco Canta Slauerhoff» chegou a disco de platina. Em 2001, Cristina Branco lançou o seu quinto álbum em cinco anos. Chama-se, muito justamente, «Corpo Iluminado».
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We expect fado to depict the tragedy of human life: the suffering, the melancholy,
the impotence we feel when faced with fate. The long tradition of fado has
provided several formulas for voicing these emotions. The constant
repetition is wearing down this wealth of expressive forms. Inevitably, this
leads to emotional exploitation, to vocalists smothering their emotions in
words.
Cristina Branco has a different approach.
Without resorting to simply breaking with tradition, she restricts herself
to the best parts of it. Just listen to some of the classics she
sings.
Cristina Branco breathes new life into the old tradition with her truly authentic
interpretation. She shows great interpretative sensitivity in her singing
and seeks to combine the lyrics and the opulent sound of the fado in a perfect
blend. She tries to achieve an expressive style that makes music and lyrics
seem inseparable.
Cristina Branco sketches with intense delicacy approach to dramatic interpretation:
the fragility of the high and clear tones, the intimate expressiveness, the
elegant accenting, the languid rhythm with which she maintains the syllables
without damaging the diction.
Her voice is filled with the rustling of leaves, with almost breathless whisper,
with nostalgia, with clouds passing slowly overhead, with approaching dusk...
that is fado...
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