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Cristina Branco: reviews and press clippings

A ambição de um novo fado na voz de Cristina

Na noite de domingo, Cristina Branco encantou o CCB com o seu novo disco, «Corpo Iluminado»

Cristina BrancoREGRESSO. Depois de ter conquistado a Europa, Cristina Branco procura o reconhecimento no seu próprio país

Bastou o primeiro verso da primeira música. Talvez sete, oito segundos de fado. A forma como Cristina Branco atacou Aquele Tão Triste Dia, dando início à apresentação do seu novo disco, Corpo Iluminado, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, foi tão convicta que ninguém se atreveu a duvidar das intenções da fadista: a noite estava por sua conta.

E, no entanto, sempre que acabava de interpretar um tema parecia algo nervosa, hesitando na escolha das palavras, como se a utilização da língua portuguesa entre fados fosse uma tarefa mais complicada do que o inglês a que costuma deitar mão para se dirigir às plateias internacionais. Em cinco anos de carreira, Cristina Branco adquiriu uma enormíssima experiência de palco. Não dá fífias – embora fizesse sentido, pelo menos em Portugal, dosear um pouco os comentários aos temas, porque eles falam por si –, tem uma comunicação perfeita com os instrumentistas que a acompanham e é simpática quanto baste. Mas, na noite de domingo, a procura de palavras quando se dirigia à plateia denotava a responsabilidade do momento: ser profeta na sua terra, após ter convertido meia Europa à sua voz.

Conseguirá? Ainda é cedo para o saber, mas potencialidades não lhe faltam. A sua voz não merece reparos, é límpida e versátil, e o guitarrista Custódio Castelo, arranjador e autor de boa parte das músicas que canta, está lá para construir um estilo e introduzir aquele grão de complexidade que, no fado, separa o génio da vulgaridade. O resultado final não só é esteticamente apetecível como intelectualmente estimulante. Porque a música do par Branco/Castelo é, de facto, um novo fado, que merece ser pensado, na medida em que é capaz de trazer corpos estranhos para o seu interior (por exemplo, o tema Acontece, popularizado pela brasileira Adriana Calcanhotto) sem perder a sua identidade.

Pela postura daquele quinteto (junte-se aos dois músicos citados, Alexandre Silva, na viola, Fernando Maia, na viola-baixo, e Miguel Carvalhinho, como solista episódico na guitarra clássica) descobre-se uma grande dose de ambição, que se pode exemplificar na abordagem feita a Barco Negro. Conhecendo a versão de Amália, eu acharia que pedir a uma jovem fadista para cantar Barco Negro seria semelhante a pedir uma reformulação da Guernica a um estudante de Belas Artes, mas eles arriscam – e petiscam. A harmonização de Custódio Castelo não se parece com nada que já tenha ouvido, e foi uma das provas mais palpáveis do seu talento.

Também a guitarra clássica de Miguel Carvalhinho desempenha um papel importantíssimo, já que num tema como Locais, por exemplo, o universo dos Madredeus fica a um passinho. Este sincretismo ordenado, que é a palavra de ordem da música de Cristina Branco, é também uma esperança para o fado, que só tem a ganhar com a diversidade. Um género que admite no seu seio Mísia, Mafalda Arnauth, Lula Pena e Cristina Branco é um género rico, que pode encarar com optimismo a entrada no século XXI.

João Miguel Tavares, Instituto Camões, 22 de Maio de 2001
Reviews
Post Scriptum (Interview with Cristina Branco, English, 05/2001)
Post Scriptum (Ryan Tranquilla, Splendid E-zine Review, English, 05/2001).
Post Scriptum (Norman Weinstein, The Christian Science Monitor, English, 04/2001)
Cristina Branco canta Slauerhoff (Kester Freriks, NRC Handelsblad, Nederlands, 04/2000)
Corpo Iluminado (João Miguel Tavares, Portugues, 05/2001)
Corpo Iluminado (Nederlands)
The New Fado (Interview with Cristina Branco, Carol Amoruso, English, 04/2001)
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